O que é "jet lag social" e como ele pode impactar sua saúde
17/05/2026
(Foto: Reprodução) O que é "jet lag social" e como ele pode impactar sua saúde
Você vive com sono e tem a sensação de que não dormiu direito na semana? E aí você tenta compensar as horas perdidas no fim de semana? Isso pode ser chamado de "jet lag social". Mas, afinal, o que é isso?
➡️"O jet lag social é um desalinhamento entre o ritmo circadiano – conhecido como nosso relógio biológico – e os horários que a vida social impõe – principalmente trabalho e compromissos. E muitas vezes, essa imposição também parte de uma busca por um aumento da produtividade. E o jet lag acontece quando existe uma diferença muito grande entre a diferença entre os horários de dormir e acordar praticados durante a semana e esses horários praticados no fim de semana. É como se a pessoa vivesse entre dois fusos horários diferentes", explica a otorrinolaringologista e médica do sono Mariane Yui.
E é esse o problema: nosso cérebro sente essa mudança como um mini "jet lag" constante. Mas quais os impactos na nossa saúde?
"Do ponto de vista de saúde, o que os estudos mostram é que o jet lag social está associado a uma piora na qualidade do sono – com o aumento da sonolência diurna. E todos os impactos que essa privação de sono ao longo da semana pode causar. Maior risco de obesidade, maior risco de doenças metabólicas. Existe um aumento da prevalência de doenças cardiovasculares nas pessoas que praticam o jet lag social", afirma Yui.
E esse sono desregulado também afeta diretamente a saúde mental e, inclusive, nossa forma de nos relacionar na sociedade.
Sono desregulado também afeta diretamente a saúde mental.
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"Do ponto de vista psiquiátrico, uma pessoa com jet lag social constante e que se mantém ao longo do tempo, ela tem muito mais predisposição a estados de estresse – porque ela tende a viver as coisas que estão acontecendo à volta de uma forma muito mais em alerta. E a tendência também é muito maior para quadros de ansiedade e até para quadros de depressão", diz o psiquiatra Gustavo Estanislau.
Mesmo sendo um dia de descanso, o famoso "vou dormir o dia inteiro no sábado" não resolve totalmente. Segundo a otorrinolaringologista Mariane Yui, essa "também não é uma estratégia válida".
"Ela pode parecer que traz algum ganho. Porque você tira no final de semana um pouco da privação de sono que você acumulou ao longo da semana. Mas eu sempre falo, não dá para você fazer um banco de horas de sono. A gente não consegue estocar sono", esclarece.
A ciência mostra que pequenas mudanças ajudam: se expor à luz natural pela manhã, evitar telas tarde da noite e manter horários mais consistentes de sono.
"Uma coisa ideal seria que as pessoas pudessem entender como o corpo delas funciona, seguir padrões. O cérebro gosta de seguir padrões. Dormir mais ou menos numa mesma hora, ter um ritual para que esse sono aconteça de uma forma ideal. E acordar em horários que sejam mais ou menos razoáveis para que eu tenha um boa noite de descanso e consiga manter esse padrão ao longo da semana", conclui Estanislau.